Santa Catarina, 05 de Setembro de 2010 Digite a palavra  
 Página Principal
 Sobre o Sinpofesc
   Diretoria
   História
   Localização
   Representação Sindical
   Filie-se
   Informativo
   Recadastramento
   Intranet
   Fale Conosco
 Fique por Dentro
   Serviço Social
   Convênios
   Notícias
   Eventos
 Multimídia
   Galeria de Fotos
   Vídeos
   Links
   Siapetnet
 Polícia Federal
   DPF
   Superint. em SC
   Delegacias em SC
 Saiba Mais
   Santa Catarina
   Florianópolis
 Entretenimento
   Cultura
   Esporte
   Lazer
   Dicas
 Geral
   Variedades
   Utilidade Pública
   Cidadania
   Meio Ambiente
 Enquete
 Você, como usuário do UNIPLAN, qual o seu grau de satisfação quanto ao atendimento do seu plano de saúde?
ótimo
bom
regular
não estou satisfeito
     
 Newsletter
Email
Adicionar  Remover
  
 Tempo
Clique aqui para aumentar o tamanho do texto. Clique aqui para diminuir o tamanho do texto.

26/07/2010

Civilizar a polícia é prioridade

O caso do adolescente de 14 anos, Bruce Cristian, abatido em plena área urbana de Fortaleza com tiro disparado por um PM repõe em cena a violência contumaz da polícia brasileira. Como a grande parte das mortes resultantes da brutalidade de investigadores e agentes da repressão, o episódio da capital cearense assumiu a figura típica de assassinato.

O infortunado jovem se encontrava na garupa da motocicleta conduzida pelo pai. Para o disparo letal, bastou que o motociclista não parasse de imediato o veículo a uma ordem do militar.

Relatório sobre Execuções Sumárias da ONU, de junho deste ano, contém informação alarmante. Nenhuma das 33 recomendações das Nações Unidas para disciplinar a conduta de policiais em serviço foi cumprida pelo Brasil. O documento, redigido com base em dados colhidos aqui pelo relator especial Philip Alston, assinala que a maioria das mortes é justificada como “autos de resistência”. A avaliação bate com as alegações de regra apresentadas para os homicídios atribuídos a civis e militares do estamento repressor. O Sistema de Informação de Mortalidade do Ministério da Saúde (SIM) consigna como causa dos óbitos a “intervenção legal”.

Está aí metáfora para revelar que quase 400 pessoas foram assassinadas no Brasil em 2008 por integrantes das polícias militar e civil. No Rio de Janeiro, estado com irrecusável notoriedade em execuções, no curso de operações em favelas e, até mesmo, para eliminar adversários pessoais, a tragédia se justifica como “autos de resistência”. Já em São Paulo toma o nome de “resistência seguida de morte”. A hipótese é de acobertamento de homicidas sob proteção do corporativismo.

As estatísticas, contudo, estão longe de configurar a realidade por inteiro. Não contabilizam as violências rotineiras nos presídios. Passam ao largo das milícias e grupos de extermínio organizados e liderados por personagens com atividade no aparelho de segurança do Estado. São crimes em que não aparece a identificação dos autores, à falta de investigação e interesse em descobri-los.

As leis tutelam os direitos de todos de exigir do Estado serviços públicos capazes de proporcionar-lhes ambiente seguro, protegido da atividade antissocial de delinquentes. Na medida em que a instância estatal cruza os braços ante a ação anormal, criminosa, das instituições policiais, resvala para a posição de conivência com a barbárie. Não basta, como o fez, desarmar a população para, pelo recolhimento de armas, reduzir uma das causas da violência. A indignação nacional exorta as autoridades responsáveis a civilizar as polícias. Fazê-lo com rapidez e diretrizes severas é condição para interromper a escalada rumo ao Estado policial — à cessação de garantias que substanciam o regime democrático.

Fonte: Correio Brasiliense